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TOXINA BOTULÍNICA

A aplicação da Toxina Botulínica Terapêutica começou há mais de 30 anos quando a Drª Jean Carruthers, uma médica oftalmologista canadense, usou a substância em um paciente com blefaroespasmo, conhecido como os espasmos nas pálpebras.

Já nos Estados Unidos, o medicamento era usado para combater o estrabismo, pois ao aplicar na região dos olhos, possibilitava o relaxamento dos músculos oculares, assim controlando o distúrbio.

Em 1989, começam a usar o medicamento para distúrbios do movimento e para a espasticidade. Com o respaldo da comunidade científica, médicos, principalmente os fisiatras começaram a usar a Toxina Botulínica para tratar as doenças neurológicas e suas sequelas.

A Toxina Botulínica é uma importante aliada no tratamento da espasticidade, uma sequela que surge após uma lesão no sistema nervoso central, o que causa descontrole do tônus muscular, levando a rigidez e a dificuldade de movimentos.

O distúrbio do tônus muscular faz com que o músculo se torne contraído, provocando alterações dos movimentos e postura.

 

A Toxina age equilibrando essa contração, a fim de fazer a musculatura relaxar.

A espasticidade

A espasticidade pode ser focal, regional ou generalizada e os principais sintomas incluem movimentos involuntários, como espasmos, reações associadas indesejáveis e pela incapacidade para utilizar os músculos espásticos e realizar os movimentos pretendidos.

Os músculos espásticos ficam contraídos, com menor capacidade para relaxar e para produzir força. Por estes motivos pode surgir incapacidade para levantar o braço, esticar o cotovelo e abrir a mão e podem ocorrer quedas frequentes durante a marcha ou dores fortes nos movimentos realizados pelo próprio paciente, terapeutas ou pelos cuidadores.

Isso gera fadiga nas atividades diárias incluindo o caminhar e pode prejudicar o posicionamento na cadeira de rodas.

Os principais sinais clínicos são o aumento do tónus, a presença de clónus, aumento dos reflexos osteotendinosos, diminuição das amplitudes articulares, alteração do posicionamento dos membros superiores e inferiores e alteração do padrão de marcha.

São complicações frequentes da espasticidade mais grave a dor, a deformidade articular, a luxação ou sub-luxação do quadril, o encurtamento musculo-tendinoso e ligamentar e as úlceras de pressão ou escaras.

 

Diagnóstico na espasticidade

O diagnóstico da espasticidade é clínico baseado na anamnese e no conhecimento da etiologia, nomeadamente no conhecimento da patologia neurológica envolvida. Apoia-se no exame físico que inclui a mobilização passiva e ativa do segmento afetado e a avaliação funcional com análise dos posicionamentos, transferências, movimentos seletivos e da marcha.

A análise cinemática da marcha e a baropodografia permitem uma importante avaliação e reavaliação qualitativa e quantitativa antes e após o tratamento.

 

Tratamento da espasticidade

A espasticidade pode ser controlada através da fisioterapia, terapia ocupacional e utilização de ortóteses de posicionamento também conhecidas como talas, bem como de calçado adaptado quando indicado pelo médico fisiatra. Devem ainda ser corrigidos os fatores agravantes como os estímulos nociceptivos, os posicionamentos incorretos e o sedentarismo.

A Toxina Botulínica é o medicamento ouro para os casos de espasticidade focal ou regional em que os músculos a tratar e a posologia são selecionados após avaliação do doente e identificação dos objetivos do tratamento através de um médico fisiatra.

A Toxina Botulínica tem efeito benéfico no alívio da dor.

 

Algumas doenças que causam espasticidade:

AVC

O Acidente Vascular Cerebral, também conhecido como derrame acontece quando há a insuficiência do envio de sangue ao cérebro, privando o órgão de oxigênio e nutrientes.

Essa insuficiência pode acontecer pelo entupimento dos vasos sanguíneos (AVC isquêmico) ou quando eles se rompem gerando uma hemorragia (AVC hemorrágico).

 

Tipos de AVC:

Acidente vascular cerebral isquêmico (derrame isquêmico): Acontece pela obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria do cérebro, causando falta de circulação vascular na região.

Acidente vascular cerebral hemorrágico (derrame hemorrágico): Acontece quando um vaso sanguíneo se rompe e vaza sangue para o interior do cérebro. Este tipo de AVC está mais ligado a quadros de hipertensão arterial.

 

O que causa o AVC:

Há diversas doenças e condições que colaboram para um AVC, como:

  • A hipertensão (pressão alta);

  • Diabetes;

  • Aumento na taxa de gordura no sangue;

  • Tabagismo;

  • Obesidade;

  • Pré disposição genética

  • Vida sedentária

 

Sinais e sintomas:

  • Diminuição ou perda súbita de força no rosto, braço, perna ou de um lado do corpo;

  • Sensação de formigamento ou alteração da sensibilidade no rosto, braço perna ou de um lado do corpo;

  • Perda súbita da visão em um ou ambos os olhos;

  • Alteração na fala;

  • Vertigem intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos

 

É importante que o paciente receba atendimento imediato em casos de AVC, a fim de evitar sequelas. Ligue para o SAMU (192) em caso de emergência.

 

Distonia

A distonia é caracterizada pelas contrações musculares involuntárias de longa duração que podem forçar as pessoas a posições anormais, por exemplo, fazendo com que todo o corpo, o tronco, os membros ou o pescoço se torçam.

Pode ser resultante de uma mutação genética, uma doença ou um medicamento.

Distonias focais e segmentares:

As distonias focais afetam só uma parte do corpo, começando, normalmente, começam entre os 20 e 30 anos.

As distonias segmentares afetam várias partes do corpo que estão próximas uma da outra.

Inicialmente, os espasmos podem ocorrer periodicamente ou somente em situações de estresse.

Com o passar dos dias, semanas ou muitos anos, os espasmos podem ficar mais frequentes e continuar durante o repouso. Por fim, a parte afetada do corpo pode permanecer distorcida, às vezes, em uma posição dolorosa.

Exemplos desta distonia:

 

Blefarospasmo:

Esta distonia afeta principalmente as pálpebras, onde o órgão faz movimentos repetidos e involuntários forçando para fechar.

Pode começar com um pestanejar excessivo, irritação dos olhos ou uma grande sensibilidade à luz forte. Muitas pessoas com blefarospasmo conseguem manter os olhos abertos com a ajuda de bocejos, cantando ou abrindo muito a boca, técnicas que se tornam menos eficientes conforme a doença avança. blefarospasmo pode dificultar muito o paciente a enxergar uma vez que os olhos não podem ser mantidos abertos como necessário.

 

Torcicolo espasmódico: 

Afeta os músculos do pescoço. O torcicolo espasmódico, também denominado distonia cervical de início adulto é a forma mais comum de distonia cervical.

 

Disfonia espasmódica: 

Os músculos das cordas vocais, que controlam a fala, contraem-se involuntariamente. A fala pode ficar impossível ou soar forçada, trêmula, rouca, sussurrada, saltada, rangida, destacada ou distorcida e pode ser difícil de entender.

 

Distonias ocupacionais: 

Também chamadas de distonias de tarefa específica, afetam uma parte do corpo e, geralmente, são resultantes de uso exagerado. Por exemplo, os jogadores de golfe podem ter espasmos musculares involuntários nas mãos e nos pulsos (chamados distonia de golfistas).

Essa distonia pode tornar uma tacada praticamente impossível. O que se supõe ser um tiro ao buraco de um metro pode converter-se num tiro de seis metros, quando o jogador perde o controle devido à distonia. De maneira semelhante, os músicos, principalmente os pianistas, podem ter espasmos estranhos dos dedos, das mãos ou dos braços que não os deixam tocar. Os músicos que tocam instrumentos de sopro podem ter espasmos na boca. A cãibra contínua do escritor pode ser distonia.

 

Doença de Meige: 

Esta distonia combina o piscar involuntário dos olhos com estalos da mandíbula. Assim, é chamada também de distonia blefarospasmo-oromandibular. Geralmente se inicia numa idade avançada.

 

Traumas do sistema nervoso

O sistema nervoso é dividido em Sistema Nervoso Central (SNC), constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal, e pelo Sistema Nervoso Periférico (SNP), com nervos cranianos e raquidianos. As lesões acontecem, na maioria das vezes, em indivíduos com menos de 45 anos de idade, causando incapacidade crônica.

 

Entre os motivos que levam a uma lesão estão o acidente de trânsito, lesões corporais, esportes de risco sem proteção entre outros.

 

Paralisia Cerebral

A paralisia cerebral é um conjunto de desordens permanentes que afetam o movimento e postura. Os sintomas ocorrem devido a um distúrbio que acontece durante o desenvolvimento do cérebro, na maioria das vezes antes do nascimento.

Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldade com a deglutição e geralmente tem um desequilíbrio no músculo do olho. A amplitude de movimento pode ser reduzida em várias articulações do corpo, devido à rigidez muscular.

O efeito da paralisia cerebral nas habilidades funcionais varia muito, pois algumas pessoas são capazes de caminhar, enquanto outras não. Algumas mostram função intelectual normal e outras podem apresentar deficiência intelectual. Epilepsia, cegueira ou surdez são condições que podem estar presentes.

Algumas doenças durante a gravidez podem aumentar significativamente o risco de paralisia cerebral no bebê, como:

  • Rubéola

  • Catapora

  • Citomegalovírus

  • Toxoplasmose

  • Sífilis

  • Exposição a toxinas

  • Distúrbios da tireoide

 

Na infância, algumas doenças podem levar à paralisia infantil, como:

Meningite bacteriana

Encefalite viral

Icterícia grave ou não tratada.

 

Sintomas:

  • Rigidez muscular e reflexos exagerados (espasticidade)

  • Rigidez muscular com reflexos normais (rigidez)

  • Falta de coordenação muscular (ataxia)

  • Tremores ou movimentos involuntários

  • Movimentos lentos e contorcidos (atetose)

  • Dificuldade para caminhar

  • Babar ou ter problemas com a deglutição

  • Atrasos no desenvolvimento da fala ou dificuldade em falar

  • Dificuldade com movimentos precisos, como pegar um lápis ou uma colher.

 

A deficiência associada com paralisia cerebral pode ser limitada a um membro ou um lado do corpo, ou pode afetar o corpo por inteiro.

A paralisia cerebral não muda com o tempo, de forma que os sintomas geralmente não pioram com a idade, embora o encurtamento dos músculos e rigidez muscular possam ficar mais graves se não forem tratados.

 

Esclerose Múltipla

A Esclerosa Múltipla é outra doença que pode causar espasticidade.

De origem neurológica, crônica, progressiva e autoimune, essa desordem é caracterizada pelas células de defesa do nosso corpo atacando o nosso próprio sistema nervoso, como se fossem um agente nocivo, como um vírus, por exemplo, o que causa lesões no cérebro e na medula.

Diagnosticada em pacientes entre 20 e 40 anos, de maioria branca e na maioria mulheres, a esclerose múltipla afeta o cérebro, olhos e medula espinhal.

Esse dano faz com quem o cérebro tenha dificuldades para se comunicar com o resto do corpo.

A causa para essa doença ainda é desconhecida. Segundo estudos, os fatores genéticos, local onde a pessoa vive ou mesmo vírus podem desencadear a Esclerose Múltipla.

Os primeiros sintomas são leves e passageiros, o que faz com o paciente acredite não ser nada grave.

Entre os desconfortos relacionados a doença estão a visão dupla, tremores, perda de sensibilidade dos membros inferiores ou de todo um lado do corpo, fraqueza e dificuldade para escrever ou para correr. É neste momento que muitos dos pacientes procuram o médico pela primeira vez.

 

Esclerose Lateral Amiotrófica

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença degenerativa que provoca a destruição dos neurônios responsáveis pelo movimento dos músculos voluntários, o que leva a uma paralisia progressiva que impede tarefas simples como andar, mastigar ou falar.

Com o tempo, a doença provoca diminuição da força muscular, especialmente nos braços e pernas e, nos casos mais avançados, a pessoa afetada fica paralisada e os seus músculos começam a atrofiar, ficando menores e mais finos.

É uma doença sem cura.

Os primeiros sintomas são difíceis de identificar. Em alguns casos é mais comum que a pessoa comece por tropeçar em tapetes, enquanto em outros surge dificuldade para escrever, levantar um objeto ou falar corretamente, por exemplo.

No entanto, com o avançar da doença, os sintomas vão se tornando mais evidentes, passando a existir:

  • Diminuição da força nos músculos da garganta;

  • Espasmos ou câimbras frequentes nos músculos, especialmente nas mãos e pés;

  • Voz mais grossa e dificuldade em falar mais alto;

  • Dificuldade para manter uma postura correta;

  • Dificuldade para falar, engolir ou respirar.

 

A esclerose lateral amiotrófica surge apenas nos neurônios motores, e, por isso, a pessoa, mesmo desenvolvendo paralisia, consegue manter todos os seus sentidos de olfato, paladar, tato, visão e audição.

As causas da esclerose lateral amiotrófica ainda não são totalmente conhecidas. Alguns casos da doença são provocados por um acúmulo de proteínas tóxicas em neurônios que controlam os músculos, e isso é mais frequente em homens com idade entre os 40 e os 50 anos. Mas, em poucos casos, a ELA também pode ser provocada por um defeito genético hereditário, acabando por passar de pais para filhos.

O tratamento deve ser orientado por um neurologista e, normalmente, é iniciado com o uso de remédio que ajuda a diminuir as lesões provocadas nos neurônios retardando o avanço da doença.

Além disso, o médico também pode recomendar o tratamento de reabilitação, com fisioterapeuta, terapeuta ocupacional fonoaudióloga e psicóloga. Já nos casos mais avançados, podem ser utilizados analgésicos para reduzir o desconforto e as dores causadas pela degeneração dos músculos.

Com o avançar da doença, a paralisia se espalha para outros músculos e, eventualmente, acaba afeta os músculos da respiração, sendo necessário internamento no hospital para respirar com ajuda de aparelhos.

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